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sexta-feira, 3 de junho de 2011

BoxVox - A Drag a Gozar

Para comemorar a chegada do final de semana, compartilho com vocês um curta metragem fantástico:

A Drag a Gozar



Eu estava no Show do Gongo do Mix Brasil, em Novembro de 2008, quando o curta levou o primeiro prêmio.

Foi muito emocionante, ao terminar a primeira exibição, o cinema veio abaixo ... O curta foi ovacionado pela platéia descontrolada.

A idéia do curta é muito legal. Inspira-se na "Velha a fiar", um curta pioneiro no cinema nacional ...

Todos com mais de 25 anos ja cantaram a musiquinha de a velha a fiar no jardim da infância ...

A versão Gay-Debochada ficou muito divertida ao retratar de forma caricatural a ampla fauna do mundo LGBTTS ...

Atire a primeira pedra que nunca foi um dos personagens do curta ... Dizem que BsVox já foi pelo menos, a monette fashion, a amiga moderninha, a bolachona, o saradão da internet, a bill do armário, a Suzy (aquela que quer ser a Barbie) e inclusive a Drag a gozar, bulinando e sendo bulinado nas baladas da vida, mas eu posso garantir que é Pura Maledicência. (risos)

A atuação da Talia Bombinha está fantástica ... eu já conhecia o trabalho dela desde 1999, nos shows das baladas da boate garagem em Brasília ...

Thalia já estreiou outras pérolas do Curta Metragens LGBTTS ... Vale conferir ..,

Vox beijos,

domingo, 10 de abril de 2011

Rio Que Te Quero Rio - O Filme


Rio que te quero rindo ...

Sexta-feira, não resisti a ansiedade e, Eu e TuTi corremos para ir ao cinema assistir RIO – O Filme, na estréia.

Mil eram as minhas expectativas e nenhuma delas foi desapontada.

Rio é uma história fascinante, comovente e empolgante ... confesso que por várias vezes durante o filme fui tomado por um entusiasmo infantil e não resisti a dar umas requebradinhas sentado na cadeira, quando mostraram as cenas de carnaval ...

No filme, a cidade do Rio de Janeiro é muito bem retratada, não foge a retratar as contradições da cidade, mas fugindo dos estereótipos, tão comuns quando o Rio é retratado ...

Amei o argumento de que a alegria e animação do carnaval tem origem na fauna e flora exuberante da mata atlântica e que de alguma forma esse sentimento é absorvido e praticado pelos cariocas.



Por tratar-se de ficção, a cidade retratada é mais limpa e organizada do que o Rio está hoje, com casas e monumentos do centro histórico conservados e restaurados. Para mim, retratam uma visão de um Rio de Janeiro possível em um futuro próximo, quem sabe o Rio que receberá a Copa e as Olimpíadas.

Rio, o filme, é um oásis de beleza e felicidade que, na minha opinião, conseguiu transmitir a essência alegre e solidária do povo carioca em contraste ao acontecimento trágico na escola de Realengo ... e mostra que ganharemos muito mais se exportarmos nossa alegria ao invés de importamos a intolerância e bullying de alguns países do Primeiro Mundo ...

O filme é adequado a todas as idades e vende o Rio de Janeiro e o Brasil para o resto do mundo de maneira fascinante para um público estratégico para o Turismo no futuro. Torço para que as próximas noticias do Rio mostrem um Rio alegre e feliz com a cidade que é retratada no filme.

#Recomendo que todos assistam RIO, o filme ... gostei tanto que no próximo sábado irei assistir a versão dublada ...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bruna Surfistinha de Cada um de Nós

“Eu não escrevo isso aqui para me desculpar com ninguém, nem para me justificar. Eu só quero contar minha história ...”

Assim começa o filme da Bruna Surfistinha ... ao blogueiros a curiosidade pela história de uma das mais famosas blogueiras, e de quebra também uma das prostitutas assumida mais conhecida do Brasil, é irresistivel ...

O trailler do filme e os teasings são muito bons, me chamou a atenção a trilha sonora, que foi muito bem escolhida e muito envolvente.


Tive o receio de que o filme passasse alguma mensagem de que a vida de PUTA fosse fácil ou emocionante ... mas não.

Ao contrário do que diriam os mais incaltos, a vida de Bruna ou de Raquel é tudo, menos fácil ...

Porque continuar a importar essa cultura de Bullying e intolerancia norte-americana?

Porque as famílias se abandonam desse jeito?

Houve realmente escolha na vida de Bruna?

As pessoas não percebem que cultivar a intolerância e a exclusão só desperta o que há de pior no ser humano? Mas garante o mandato de um monte de politicos reacionarios

Perseguir e condenar as pessoas não as faz mudar, oferecer-lhes perspectivas talvez os façam mudar ou ao menos refletir.

... é mais facil condenar a Bruna Surfistinha no outro, do que acolher a Bruna Surfistinha em cada um de nós ...

Pra mim, Bruna se perde no internetico universo dos blogs e redes sociais. O personagem acaba por dominar a vida real, com as piores consequências possíveis no caso dela.

A cada dia percebo que passar de completo desconhecido a proto celebridade da internet, desorganiza muita gente!

O mais interessante é que a parte pública da vida de Bruna Surfistinha é apenas a ponta do iceberg do como aconteceu a virada na vida dela e isso me surpreendeu de forma muito positiva ...

Vale conferir!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Homossexualidade e Adolescência Sem Traumas

Um mundo sem Discriminação e preconceito é possível, Adolescentes Gays podem ter uma adolescência sem traumas ...

Frente ao episódio lamentável do deputado (recuso-me a repetir seu nome) que pratica discriminação, racismo e homofobia em rede nacional (baseado em uma forma deturbada e preconceituosa de encarrar a estruturação da sexualidade humana) e ainda assim tem a possibilidade de continuar impune, decidi publicar esse video:

É um curta metragem de 17 minutos que trata do despertar da sexualidade, da homossexualidade, e mostra que é possível um desfecho diferente para os jovens homossexuais ... sem bullying ou discriminação, realidade distinta da realidade brasileira hoje.

Descobri o curta em visita ao blog do SouGay que postou um trecho dele, fiquei curioso e procurei o video completo. Mais uma vez o SG me proporciona um grande aprendizado.

Decidi publicar aqui a versão completa, porque nela fica mais claro o despertar do sentimento e o final é mais revelador.

Muito bem construído ... Parabéns ao Diretor e aos atores.


Alguns dos meus comentários:

É muito emocionante ver um filme que mostre uma adolescencia diferente do que a maioria dos gays viveu no Brasil até os dias atuais. Apaixonar-se na adolescencia pelos professores, pelos colegas de classe é algo muitissimo comum, mas a esmagadora maioria dos gays não teve a remota possibilidade de expressar tal sentimento.

Uma coisa que achei muito legal é a forma como o autor mostra a questão do toque entre homens ... pois a permissão para que um homem toque o outro na sociedade brasileira ainda é um tabu gigantesco ... sair com o namorado de mãos dadas causa muito frisson ...

Gostei muito do filme, pois ele trata da construção da sexualidade de uma forma espontânea e sem os preconceitos, trata da homossexualidade sem a intenção de chocar, como "Do Começo ao Fim", e também longe da gay/ lésbica triste como em “Como Esquecer”, ou “Brokeback Mountain” o interessante também é que o final é bem diverso dos filmes que retratam a realidade gay como tendo um desfecho irremediavelmente triste, solitário ou melancólico .

Para mim, o curta deixa claro que ser gay ou lésbica não tem que ser um trauma na vida de ninguém, basta que cada um cuide da sua vida ... se o deputado A ou B não se agrada da sexualidade alheia continue a exercer a sua heterossexualidade, agora incitar o crime, a violência e a discriminação são crimes e como crimes merecem ser punidos ...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Orgasmo Inaugural

O título é assim meio provocante mesmo!


Hoje, ao assistir "De Pernas Pro Ar", com Ingrid Guimarães, respondi uma pergunta que me pertubava desde setembro de 2010.

Tudo que falo está no trailler oficial, leia sem medo.

Tenho uma queda por Cinema Nacional, então o assistiria, mas não esperava tanto.

O filme é divertidissimo. Ri de ter dor na barriga.

Recomendo que todos prestigiem a produção.



Resumindo: Alice uma mulher super bem sucedida, perde marido, emprego e tudo que dava valor e ainda descobre que nunca teve um orgasmo. Ao ter um orgasmo, a vida ganha outro colorido e tudo muda de rumo.

Minha Pergunta:

Por que
Um novo namorado enlouquece
algumas pessoas?


A resposta é: O ORGASMO! Sim. Especialmente, em sua versão inaugural! Não, não é o que tirou a virgindade, mas sim o primeiro orgasmo verdadeiro de uma vida. IE, a descoberta do orgasmo.

Para os Gays, em especial, para os que têm menos de 30, é surreal entender como uma pessoa vive um relacionamento sem que tenha um orgasmo.

Mas é a dura realidade, inclusive no ocidente, a maioria das mulheres nunca teve um orgasmo!

Provavelmente, isso inclua sua mãe, sua vó e sua tia (Igual diz na música Ultraje a Rigor - Pelado.mp3)

A maioria dos gays não tem nem um segundo encontro, se no primeiro não tiver um bom orgasmo. Risos.

No cinza mundo hetero, as coisas devem ser diferentes. Acredito porque existam mais tabus (em especial para mulheres = nunca se tocar ou se masturbar). O orgasmo deve ser a última coisa que muitas esperem de um relacionamento.
Então, é possível que com um novo namorado ou namorada, ao se conhecer um verdadeiro orgasmo, algumas pessoas percam um pouco o norte, a direção e deixem até de ser elas mesmas.

Lamentável! Amigos, amigas, a capacidade de ter um orgasmo está em você e não no outro, se para estar com o produtor do orgasmo você tem que deixar de ser você, troque-o por outro ser humano, enquanto aguarda um melhor, talvez um sextoy ajude. Risos.

Fácil quem sempre teve orgasmos lidar com tanto desprendimento. Risos.

Um tabu para muitos casais de gays e lésbicas é questionado: SexToys;

Confesso que até ler o post SexShop no Blog SouGay, eu ainda era muito resistente aos tais brinquedinhos ... mas viver é aprender constantemente ... e mudar coerentemente é crescer ... risos.

Desde 2007, eu reflito:

O Tesão, sexo é pode não ser o mais importante
no inicio do relacionamento?

Sintonia sexual pode melhorar?

SexToys podem ajudar um relacionamento?

Durante 8 anos, disse NÃO a todas as essas perguntas ... Em 2007, inicie uma revisão de conceitos e em 2010, exterminei por completo esses mitos ...

Hoje, afirmo SIM a todas elas
E muito feliz abraço a monogamia gay.

Certo de que qualquer relacionamento e todas suas partes são construções e que, se houver disposição para aprender, em especial em sexo, quando mais se faz com a mesma pessoa, melhor fica.

PS: Quem for assistir "De Pernas Pro AR" não saia correndo ao terminar o filme, pois terão alguns pequenos esquetes bem engraçados enquanto passam os créditos;

Com comédia curamos tudo, inclusive homofobia!

Não Desisti: Façamos de 2011, o Ano Contra Homofobia!



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Falar com as mãos é Gay? Comer, Amar e Rezar

Voltemos ao tom cômico disso daqui.

Assisti o filme Comer, Amar e Rezar, achei um pouco longo e parte sobre a India foi um pouco chata, mas na média foi bom.

Gostei muito de duas tiradas que o filme dá.

A primeira fala da forma como os italianos falam: Com As Mãos.

A segunda foi a parte do selinho entre pai e filho.

Esse dois pontos do filme o fizeram realmente valer a pena para mim, pois se ligam sobremaneira com a minha vida, e de grande forma a legitimam e expõe a babaquice de uns controles heterossexistas no Brasil.

Falar com as mãos é parte de mim, e não é por meio de LIBRAS. As pessoas associam isso ao fato de ser gay, mas não tem nada a ver. (Claro que eu falo com as mãos de uma maneira totalmente única e peculiar, não por ser gay, mas ... PQ Eu sou RICA, Eu sou RICA ...)



(O rapaz ao lado, com uma aparência pra lá de GLS está falando com as mãos, mas diferente de mim ele utiliza LIBRAS o que não tira a sua graça, mas ele perderia em espontaneidade e comicidade se falassemos com as mãos lado a lado. Risos.)






No filme destacam que os italianos falam com as mãos, eles mostram apenas uns movimentos caricatos, mas na prática é mais que isso. Quando vivi na Argentina, onde tiveram muita imigração italiana eu também percebia esses movimentos das mãos ao falar, o que fazia eu me sentir ainda mais a vontade. (lá os gays têm direitos civis, definitivamente nasci no lugar errado)

Eu sempre falei com as mãos, mas no Brasil. Aqui sempre há um controle excessivo para os gays e por diversas vezes, algum babaca, destaca esse traço peculiar da minha personalidade e não é para me exaltar ou elogiar.

Falar com as mãos incomoda os mais homofóbicos.

Eu acho que falar com as mãos dá um ritmo, uma beleza e uma complementação para o discurso, mas infelizmente há um patrulhamento enorme e essa caracteristica é cada vez menos comum. (ganha o preconceito e perde a diversidade)

O outro ponto, que a maioria dos brasileiros que assistir ao filme vai achar uma apelação e uma mentira é a parte da despedida do pai e do filho com um selinho. (Vão dizer que não existe)



Quando eu era criança, essa forma de despedida era muito comum na minha família paterna. (A avó do meu pai era do Sul da Itália, origem do comportamento muito retratado nos filmes de máfia)

Confesso que eu achava muito estranho e o episódio que o filho do personagem brasileiro relata, Despedir-se do pai na escola com um selinho, também acontecia comigo. (Isso não tem nada a ver e nem influenciou minha orientação sexual)

Claro eu era alvo de muita chacota e como no Brasil não há muito espaço para vivências etnicas autonomas (diferente de outros países multi-etnicos como EUA , Europa e Austrália) a caracteristica foi banida também da minha família.

Infelizmente, no filme a única referência a comunidade GLS não é muito feliz e edificante, diriamos assim, mas também quem fala é uma Nona italiana, provavelmente católica e super conservadora.

Deixo para vocês uma tarantela eletrônica feita por um DJ Argentino.
Surreal têm até um sample de "Chorando se foi"no meio.
Acho que se eu fosse uma Tarantella eu seria algo assim.



Frases do Dia: Vamos pedir piedade, Senhor, piedade. Pra essa gente careta e covarde. CAZUZA

sábado, 4 de setembro de 2010

Sua Vida Daria Um Filme?

Certo dia, escrevi sobre músicas e se não me engano o título era: Sua vida tem trilha sonora? A resposta foi sim, Sim minha vida teve, tem e para sempre terá trilha sonora.

Não é de se surpreender que a resposta a pergunta do título (Sua vida daria um filme?) seja sim. Sim, a minha vida dá um filme ... Esse tema tem ido e vindo na minha cabeça.

Okay, dá um filme, mas que tipo de filme? No meu caso, acho que seria uma comédia dramática e com certeza teria que ser dirigida por Pedro Almodóvar.

Conheço pessoas narrariam a sua vida como como “A Noviça Rebelde” um musical cheio de pureza e inocência, um passeio no parque com nazistas a espreita, mas entre uma fuga e outra, há espaço para cantar e cantar ... (notaram que musicais não são meus preferidos)

Minha vida não foi assim um passeio no parque como a alguns podem pensar, não sei exatamente qual dos filmes do Almodovar se encaixaria mais na minha história. ... um pouco de todos, mas nenhum em essência.

Consigo até ver a primeira cena do filme da minha vida. Com certeza teria cabelos ao vento, fotografias, muitas gargalhadas e alguma coisa que desse um tom dramático e intenso. Que fizessem a audiência prender a respiração.

Um filme meu seria cheio de viradas na trama. Vários pequenos climaxes.

Claro, o roteiro seria próprio e exclusivo, cada um é um mundo e um universo, mas eu colocaria uma cena de “Abraço Partido (El Abrazo Partido)”, não do Almodóvar, mas do argentino Daniel Burman. A cena da mãe cobrando do filho um neto, é hilariante! Embora não tenha propriamente existido na minha vida, eu colocaria em um filme da minha vida assim mesmo.

No país da telenovela, acho que todos temos as vezes a impressão de que vivemos algum tipo de trama ficcional. É só uma idéia. Se juntarmos os dois posts Sua vida tem trilha sonora? com sua vida daria um filme, já temos boa parte da obra.

Agora basta sentar, escrever o roteiro e filmar. Faz assim, fazemos uma produção tipo B, para mostrar no show do gongo do mix Brasil. meio caminho andado. Brincadeira!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Paradigma do Gay Triste! BrokeBack Mountain! Felicidade = Escolha!

Post giga Grande, mas o assunto não permitiu reduções. É isso que acontece uma pessoa passa por #Reforma, #Alergia e reflexão do seu passado tudo ao mesmo tempo.

Definitivamente, cansei de gente que quer ser infeliz, não tenho talento para isso!

ANNE FRANK, menina judia que viveu boa parte de sua adolescência escondida em um minúsculo sótão fugindo dos Nazi escreveu: " ... Quem for feliz, faça também os outros felizes. Aquele que tem coragem e fé nunca perecerá ... "
Se ela em condições tão adversas consegue ter esse tipo de pensamento, para todos nós é moleza seguir sorrindo.

Minhas andanças, a vida, filmes, peças teatrais, me mostraram o paradigma do Gay Triste.

Ele é sempre demonstrado no cinema e fica claríssimo no filme "Brokeback Mountain" e acontece em muitos outros filmes de temática Gay. O que eu lamento.

Infelizmente, já observei alguma semelhança com a realidade.Em geral, no início do relacionamento os dois rapazes estão até bem felizes e animados, mas em determinado ponto um deles esquece o lado cor-de-rosa e segue para o caminho negro da força.

Nasceu o Gay Triste que dia após dia fica mais aborrecido, emburrado, chato, pessimista, só vê dificuldades e traz pra si a obrigação de tudo resolver.



Em geral, ainda desenvolve um comportamento predatório com o relacionamento, acha que tudo é óbvio e conversar não é uma alternativa. Ira-se muito facilmente, magoa e nunca pede perdão. Começa a cavar o fim do relacionamento para manter-se infeliz.

No outro extremo da relação, aparece o Gay Feliz, que continua encarando a vida com bom humor e esperança, confiante de que de alguma forma as coisas irão se resolver. E assim dessa maneira capenga o relacionamento segue, as vezes por anos.

Paradoxalmente, temos na mesma situação e duas pessoas a vivendo e a sentindo de forma diferente. Uma feliz e outra infeliz.

Arrisco dizer que o Gay Feliz é realmente feliz, porque a felicidade não está na situação em si, mas sim na forma com a encaramos.

Tolstoi diz que quando se ama sempre se é feliz porque a felicidade vive dentro de nós (tradução livre). Pensando nessa perspectiva, eu tenho a certeza que o Gay Feliz é realmente feliz, pois independente da situação a felicidade está dentro dele.

Esse paradigma não é absoluto. É um padrão observei, mas sem qualquer rigor científico.

No caso de "Brokeback Mountain", o relacionamento é indiscutivelmente difícil e com condições externas extremamente adversas.

A chamada que mais gostei desse filme dizia: O amor é a maior força da natureza! Lindo não?



Os dois se amam (para mim é fato) e estão irremediavelmente separados fisicamente e unidos pelo sentimento maior.

No caso deles, não apenas a distância física os separa (em determinados momentos mais de 2000 km), mas também convenções sociais (casamento, etc) e o ambiente social extremamente hostil para que pudessem assumir algo mais real e público, mas ainda assim eles acabam realizando, de alguma forma, esse sentimento.

Se você nos olharmos a partir desse referência o relacionamento de qualquer um de nós muita moleza. O que são mil quilômetros? O que é uma distância de idade? No mundo de hoje, qual o problema de serem dois homens ou duas mulheres? O que tem se um é vegano e o outro ama churrasco? E se um é protestante e outro da umbanda, judeu, católico ou espírita?

Apesar de todas essas adversidades, o Gay Feliz continua demonstrando estar feliz, não acredito que seja porque para ele as coisas sejam mais fáceis, mas sim porque ele encara a vida de outra forma. O Gay triste segue cada vez mais triste e infeliz.

Se me recordo bem, em duas ocasiões em Brokeback o Gay Triste com um soco tira sangue do gay feliz, na última vez mancha a blusa e ela é a estrela do fim do filme.

O Gay Triste age com essa violência não porque não ame o outro, mas porque o comportamento otimista e a insistência em não desistir do Gay Feliz, o irrita de forma irracional, pois ele só sabe encarar a vida de forma triste e o outro a todo momento mostra um caminho que acredita viável e com um sorriso nos lábios.

Fica a lição de que nem sempre quem te ama, ou diz te amar, vai te tratar como você merece e deve ser tratado, não por ser sádico (em alguns casos deve ser, mas eu insisto em acreditar no ser humano), mas sim porque provavelmente nunca foi amado e não sabe lidar com isso, ou então tenha amado e tenha sido tratado dessa maneira.

Para o Gay triste seria muito mais fácil se o Gay feliz o abandonasse, o traísse, o sacaneasse. Dessa forma, ele poderia o demonizar e se libertar da tentação de ser feliz e pode seguir vivendo seus modelos de tristeza. Sim, porque o que mais o incomoda é o questionamento de seus modelos falidos.



No final do filme, como na esmagadora maioria dos de temática gays, o Gay Feliz morre e o gay triste, de forma muito atrasada, percebe que o amava de verdade, mas que agora é tarde demais e segue sendo triste pelo resto de sua vida.

Eu sempre me questiono o porquê desse paradigma do gay triste no cinema. Que mensagem é enviada de forma hermética ao nosso subconsciente? Ser Gay nunca dá certo?

Porque se você é o Gay Feliz o mundo te massacra e você morre prematuramente no final.

Por outro lado, se o mundo não te massacra você seguirá sendo triste o resto da vida.

É perturbador!!!

Acho que por tudo que eu disse dá até para palpitar que tipo de Gay sou eu. Risos. Não acredito que tenha que haver essa dualidade yin yang. Nem organizo meu presente desta maneira. Acho perfeitamente possivel todos serem felizes.

Faça uma retrospectiva na sua vida. Ela é sempre perfeitinha e agradável? Com certeza não! ela, tem alto e baixo, muito provavelmente mais baixos do que alto. E é assim com a esmagadora maioria das pessoas.

E por que há pessoas visivelmente felizes e outras visivelmente infelizes?

A diferença está em como se vê as situações da sua vida e a partir dai, decide ser feliz ou não. Não existe pílula mágica, segredo, etc. A felicidade não é um Estado de Graça, a felicidade é um conjunto de momento e uma construção diária.

Me afasto de Polianismos, ou da história de Joseph Climberman. Acredito realmente que é possível ser feliz sem alienações ou sequelagem.



Haverá momentos tristes e difíceis. Encare-os com coragem tente dentro do possível não. Nunca deixe-se dominar.

A maior parte da vida pode ser encarada assim: Como um copo cheio até a metade ou como uma oportunidade.

Gays Felizes, sigam sendo felizes!

Gays Tristes, acordem só se vive uma vez, então tirem o melhor dessa vida. Sua infelicidade só vai atrapalhar a você mesmo. Os gays felizes encontraram gays felizes e viveram felizes para sempre ou morreram tentando E vocês?

Descolando totalmente do contexto do filme e ampliando a um pensamento mais geral, acredito que um fato que ajuda muitos nesses momentos dificeis é ter uma crença e um relacionamento com Deus.

A maioria das pessoas que tem esse tipo de crença usufrui de uma tranquilidade e confiança inexplicável. Não trata-se de se acomodar, muito pelo contrário, faz-se o máximo. Trata-se de reconhecer a grandeza e unipontência de Deus e entregar a decisão final a ele. Em geral, ele enviará sinais e há até quem diga escutar sua voz em sono ou inspirações.