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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Homossexualidade e Adolescência Sem Traumas

Um mundo sem Discriminação e preconceito é possível, Adolescentes Gays podem ter uma adolescência sem traumas ...

Frente ao episódio lamentável do deputado (recuso-me a repetir seu nome) que pratica discriminação, racismo e homofobia em rede nacional (baseado em uma forma deturbada e preconceituosa de encarrar a estruturação da sexualidade humana) e ainda assim tem a possibilidade de continuar impune, decidi publicar esse video:

É um curta metragem de 17 minutos que trata do despertar da sexualidade, da homossexualidade, e mostra que é possível um desfecho diferente para os jovens homossexuais ... sem bullying ou discriminação, realidade distinta da realidade brasileira hoje.

Descobri o curta em visita ao blog do SouGay que postou um trecho dele, fiquei curioso e procurei o video completo. Mais uma vez o SG me proporciona um grande aprendizado.

Decidi publicar aqui a versão completa, porque nela fica mais claro o despertar do sentimento e o final é mais revelador.

Muito bem construído ... Parabéns ao Diretor e aos atores.


Alguns dos meus comentários:

É muito emocionante ver um filme que mostre uma adolescencia diferente do que a maioria dos gays viveu no Brasil até os dias atuais. Apaixonar-se na adolescencia pelos professores, pelos colegas de classe é algo muitissimo comum, mas a esmagadora maioria dos gays não teve a remota possibilidade de expressar tal sentimento.

Uma coisa que achei muito legal é a forma como o autor mostra a questão do toque entre homens ... pois a permissão para que um homem toque o outro na sociedade brasileira ainda é um tabu gigantesco ... sair com o namorado de mãos dadas causa muito frisson ...

Gostei muito do filme, pois ele trata da construção da sexualidade de uma forma espontânea e sem os preconceitos, trata da homossexualidade sem a intenção de chocar, como "Do Começo ao Fim", e também longe da gay/ lésbica triste como em “Como Esquecer”, ou “Brokeback Mountain” o interessante também é que o final é bem diverso dos filmes que retratam a realidade gay como tendo um desfecho irremediavelmente triste, solitário ou melancólico .

Para mim, o curta deixa claro que ser gay ou lésbica não tem que ser um trauma na vida de ninguém, basta que cada um cuide da sua vida ... se o deputado A ou B não se agrada da sexualidade alheia continue a exercer a sua heterossexualidade, agora incitar o crime, a violência e a discriminação são crimes e como crimes merecem ser punidos ...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Catedral ou Caipirinha: Um Pé Fraturado Pode ser é Igual a Que?

(acima interior da Catedral de Brasilia: Tomara que meu interior seja lindo assim)

Ausências!

Nas ultimas semanas, tenho postado e comentado pouco. Não porque não tenha o que falar, mas sim porque estou me readaptando a voltar a viver ... Meu pé fraturado me deixou, 6 semanas de repouso completo.

Na segunda (07/02/2011), embora não esteja curado, pedi aos médicos que me deixassem voltar ao trabalho, pois o repouso estava me estressando mais do que trabalhar de Robofoot.

Isso é o que acontece, estou trabalhando de Robofoot e muitissimo feliz!

Será que sou normal? Preferir trabalhar a ficar em casa descansando e vendo filmes e séries?

Bem, esse sou eu: Um enigma!

Tenho trabalhado em projetos relacionados a acessibilidade e inclusão em tecnologia, mas sempre que posso dou pitaco em outras áreas relacionadas.

Satisfação:

Trabalhar na concretização de direitos inquestionáveis de uma minoria, mesmo que não seja a minha, me dá um entusiamos sem paralelos na minha vida.

Direito de Ir e Vir:

Se bem que com o pé fraturado e de Robofoot, sou leve e temporariamente um portador de uma deficiência de locomoção. E isso só me faz entender cada vez melhor que as adaptações urbana e arquitetonica ( vagas reservadas, rampas, calçadas e corrimões) são a concretização do Direito de Ir e Vir: Uma obrigação que tem que ser realizada pelo Estado e pela Sociedade.

Escadas São do Mal:

Isso tem me feito ter cada vez mais raivas de escadas, não apenas porque eu cai de uma no dia de natal, mas sim porque elas são obstáculos muitas vezes intransponíveis para quem tem uma dificuldade ou limitação na locomoção.

Ainda assim, a maioria dos brasileiros faz uma ligação entre escada e glamour ... Eu quero uma casa térrea ...

(Desde o Natal, com o pé fraturado,
vejo em todas as escadas esse macaco do mal que me diz:
Você vai ter que ficar ai em baixo, ou senão ...)

Elevadores ainda São Esquisitos:

Também estou revendo minha relação com elevadores. Eles passaram de caixa lacradas e sufocantes, para importantes facilitadores da minha locomoção.Talvez porque agora quando entro nele o meu foco principal é proteger meu pé fraturado de pisada e com isso nem tenho tempo de perceber que estamos todos lacrados numa caixa de metal.

Mais Admiração:

Toda essa jornada também tem me feito admirar ainda mais os meus colegas de trabalho e colega de faculdade que todos os dias vencem grandes obstáculos para poder chegar nos locais de trabalho e estudo, e ainda vejo no rosto de muitos um sorriso e bom humor, que eu gradualmente fui perdendo nestas 7 semanas;

Construir Catedral?

No final, vou me consolar com o entendimento de que de uma maneira ou outra, terminei por ter um estimulo no meu trabalho. Digamos que agora, ao me dedicar aos projetos de acessibilidade, me sinto com alguém que constrói uma catedral, e não apenas com um operário que coloca um tijolo em cima do outro.

(acima a foto da Construção da Catedral de Brasilia,
cujo o interior é a primeira foto do post.
Enquanto a gente está construindo as coisas elas ficam meio feias e sem jeito, né?
Mas o resultado compensa, né?)

Piegas?

Provavelmente a metafora da Catedral é brega pacas, mas como ouvi um dia:

"Importa menos o que vivemos
e mais a forma com encaramos o que vivemos. "

Então, Estou tentando olhar com bons olhos, dizendo no popular:

Se não tem como deixar de comer um limão,
vamos ao menos Fazer uma caipirinha.


PS: Sou abstêmico (alcool zero na minha vida), mas acho que passa bem a imagem do que quero dizer.

As vezes, eu me surpreendo com os textos que escrevo. Como alguém transforma 7 semanas de pé fraturado em uma caipirinha?

Como disse antes:

Eu sou um Enigma.

Melhor nem tentar me decifrar...

Como atravesso um deserto, me lembrando que a solidão ninguém pode evitar
... mas lembrando que o céu e o tempo são maior ...
A música do Post é Catedral, acustico com Zélia Duncan

Zélia Duncan - Catedral (acústico).mp3