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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Argentina: União Civil Gay 2/3

(Continuação de Argentina: União Civil Gay 1/3)

A liberdade que presenciei e vivi na Argentina, foi para mim algo sem parâmetro e medida. Só vi algo semelhante durante as Paradas Gays que organizei e presenciei. Só que na Argentina era algo surpreendentemente melhor e mais natural.

Encontrei uma sociedade em que para a maioria das pessoas a orientação sexual era um mero detalhe indiferente. Ao contrário do que povoa o imaginário do brasileiro médio, ainda mais em tempo de copa do mundo, o povo argentino não me tratou com qualquer sentimento de bairrismo. Não ouvi nenhuma piada que depreciasse o Brasil ou os brasileiros. Ouvi por diversas vezes coisa que só nos enalteciam.

A ARGENTINA E A LIBERDADE CIVIL DOS HOMOSSEXUAIS:

Buenos Aires foi o primeiro lugar em que vi Gays andando de mãos dadas e namorando na Rua, no Metrô e em Cafés. De forma livre, inocente e despreocupada em situações cotidianas. Algumas vezes, vi Gays namorando no metro e isso me gerava um sentimento bem confuso: Felicidade (Por saber que há respeito nesse mundo), Frustação (Por viver em um País tão atrasado) + Esperança (Um dia chegaremos lá, milito dia e noite por isso). Claro que o Andres me tirou metade da frustação. Risos. (Ai, que RICO!!!).

Lá está claro que respeitar os gays e a diversidade é consolidar os direitos humanos. É rídiculo defender qualquer coisa diferente disso, vinculando a qualquer coisa que seja. Vai vincular a D-us? É bom lembrar que D-us concedeu a todos o livre arbitrio e que só a ele compete julgar, então Quem esses homofóbicos pensam que são para julgar? D-us? Não posso conceber pecado maior.


MÃOS DADAS : No Brasil, NÃO PODE! Sinal claro e inconteste da Opressão!

Os Heterossexuais não podem entender o tamanho da opressão que é não poder andar de mãos dadas com o ser amado em nenhum lugar público. É muito pior quando você (Eu no caso) já pode fazê-lo em terra estrangeira.

O único lugar público que pude andar de mãos dadas com um namorado no Brasil, fora de uma Parada Gay, foi em um restrito trecho da Praia de Ipanema no Rio, acho que meu namorado não entendeu a minha insistência em fazer algo tão singelo [a lágrima é verdadeira!]).


HÁ EXPLICAÇÃO PARA O ATRASO?

Diante de tudo isso, me questiono por que na Argentina e no Uruguay a questão dos direitos civis dos gays esteja tão melhor. Só há uma resposta: Desenvolvimento não se mede só pela grandeza de seu PIB. O Brasil tem um PIB gigante, mas uma distribuição de renda vergonhosa e um Índice de Desenvolvimento Humano ridículo para um país com tanto recurso. Nosso irmão do Prata têm IDH muito melhor. Quem estuda e lê mais, provavelmente entende mais fácil que cada um faz da vida o que quiser e que orientação sexual não baliza ninguém.

Mais uma vez Parabéns para a Argentina e para o Povo Argentino pela medida histórica.

Todos os gays brasileiros recebem com Admiração e Esperança

a aprovação do Casamento Gay, agora em toda Argentina.

Certeza absoluta, nossa vez não tardará.

Avançamos Palmo a Palmo, "Hasta La Victoria!"

Aos homofóbicos digo:

Mudem-se para Uganda/Africa

Onde, brevemente, será o único lugar

em que pensar com homofobicamente será legal.

Enquanto isso, não tem problema.

Finíssimo viajar para a Argentina para casar,

Ai já podemos emendar a lua de mel

e gastar nosso “pink money” onde nos respeitem.

(continua ...)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Argentina: União Civil Gay 1/3

Gay, Sapas, Drags, Simpatizantes, Amigos e Amigas,

Nossa, Desculpem a demora em tratar deste acontecimento mais que histórico! Há dois dias luto para colocar o Windows de pé.

Dia 15 de Julho de 2010, exatamente um mês antes do meu aniversário o Congresso Argentino me brinda com tão grande notícia: A união civil entre pessoas do mesmo sexo é expandida para todo o território argentino. Agradeço enormemente o Presente!!!!



(Clique para ler a notícia: Argentina Aprova Casamento Gay.)

É mais que provável, que todos, ou quase todos, que leem esse singelo blog, já saibam que morei na Argentina por quase dois meses em 2006. Naquele momento, o Casamento Gay já era aceito e legalizado na Capital Federal, Buenos Aires. Eu com meu passado de militância no Direitos Civis dos Gays, Fiquei Entusiasmadissimo! De estar na Capital mais progressitas da America Latina.

A cidade é fantástica e em um dos meus posts anterior já mencionei isso. Eu me apaixonei completamente e lá tive experiências incríveis em todos os aspectos. Elas mudaram tudo em mim, minhas opiniões, meu acento, minha auto-imagem e até o lado para o qual eu penteava o cabelo. Risos.

Como bom brasiliense, sentia muita falta do traçado urbano de Brasília . Por mais de uma vez pensei: Caramba, por que Peron, não teve a idéia de construir uma capital modernista? Tenho certeza que se eu encontrasse o traçado urbano semelhante ao do Lúcio Costa aqui, eu não conseguiria deixar essa cidade.

Eu morei na praça do congresso, exatamente onde foi a votação final e chego quase as lágrimas ao ver a praça em que eu passei milhares de vezes, em que presenciei muitas manifestações, lotada de militantes pró-gays e sinto uma ponta de nostalgia de não ter participado.

Na quinta semana de minha estada em 2006, houve uma anistia aos estrangeiros em território argentino. Todos que quisessem ficar poderiam, bastaria preencher uns documentos no Ministério do Interior.

Eu, entusiasmadamente, ouvi todas as informação e confesso que por 5 minutos, decici ficar. Mas logo levei um choque de realidade: Como ficar em Buenos Aires, trabalhando para o Distrito Federal do Brasil, com uma formação não-reconhecida na Argentina, Falando espanhol mal e com uma casa própria inacabada em Brasília?

Para completar o prazer de minha estada porteña, tive por 4 semanas um namorado argentino nascido em La Plata. Um doce de pessoa. Que me permitiu conhecer de forma verdadeira a vida de um jovem argentino. Passeamos no Rosendal, Visitamos Evita, Tomamos muito sorvete, Tomamos muito Mate (Chimarrão), Fomos ao Teatro assistir o Cardenal, que eu apressadamente li "Gardenal" e pensei que era uma peça sobre loucura e na verdade era sobre opressão. Risos. Vimos TV aberta argentina (um lixo), peças dele gravadas em video e filmes antigos argentinos, além de muitas coisas mais singelas que nunca poderia fazer no Brasil, por causa da homofobia reinante a época e ainda hoje.

Sou extremamente grato a Argentina,
aos Argentinos
e, especialmente, ao Andrés,
por me permitirem ser completamente cidadão,
ainda que em Terra Estrangeira,

Por Alguns Meses,
meu coração foi menos Terra Estrangeira

Como diz o cartaz abaixo:
Legalizar a União Gay é Questão de Igualdade.


Argentina: Um exemplo de Estado Laico e Respeito!