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domingo, 27 de junho de 2010

Gay VOX – VOICE - VOZ: Cazuza

Já pararam para pensar que existem pessoas que conseguem sintetizar as aspirações, ilusões, desilusões e desejos de toda uma geração em obras de arte? Para mim essas pessoas são vozes de seus iguais.


Os gays tiveram e têm diversas pessoas assim. Complicado dizer quem seriam hoje, mas é fácil identificá-los no passado.


Entre eles, me vem a cabeça agora três: Oscar Wilde, Renato Russo e Cazuza. Eles foram e ainda são vozes muito potentes dos sentimentos que carregam a maioria dos gays, ainda mais o mais jovens.

Não farei biografia de ninguém, mas se quiser saber mais, olha na wikipedia.org


Cazuza:

Ele como eu, era muito fã da Janis Joplin. Anos importantes da minha vida foram embalados por suas canções. Uma vez, num surto de cólera, imprimi e enviei diversas cartas com letras dele para algumas pessoas eu não suportava. Uma das frases nunca me esquecerei: “...sua piscina está cheia de ratos, suas idéias não corresponde aos fatos, o tempo não para ...” Dá para imaginar a cara de quem recebeu?


Imaginem, na década de 80, o cara assume que é gay e tem namorados publicamente, a maioria, ainda hoje, não consegue. Lembro a todos que na década de 80 a homossexualidade era considerada doença pelo Conselho Federal de Psicologia, só deixou de ser no fim da década de 90. Na minha família, eu fui o primeiro a ter namorados publicamente, que era apresentados a família, que pediam autorização ao pai e que frequentavam as reuniões familiares e os almoços de domingo. Claro que o Cazuza teve a ver com tudo isso. A forma como ele encarou a sociedade de cabeça erguida mesmo nos momento mais dificeis de sua vida.


Só lastimo que o Cazuza tenha morrido como morreu, tão jovem, mas ainda assim, ele marcou para sempre a MPB e a transformou.


O post era para ser sobre "Pro dia nascer feliz", mas saiu isso.


Músicas do Cazuza que eu indico:

Pro dia nascer feliz

Codinome Beija-Flor

Exagerado

O tempo não para

O nosso amor a gente inventa

Amor meu grande amor

Poema

(e muito mais)


Então, Cazuza é o cara ou não é?





Aulas de Literatura: Aprender a Arte de Decifrar ...

Em 1995, eu não conseguia entender, por que existiam aulas de literatura, embora eu fosse fascinado por elas. Meu professor (Feitosa) falava em mono-tom, mas o que falava era fantástico que eu não conseguia perder uma palavra. Me descortinava um mundo oculto e mágico, entender o que estava nas entrelinhas do que estava escrito. Textos eram muito mais que letras colocadas lado a lado.

Para os judeus é um exercício comum. O hebraico é mais que letras lado a lado. Cada letra tem seu significado independente, seu fonema, seu número e seu significado quando reunida à outra. Além de poder ser lido em qualquer sentido na horizontal, vertical ou diagonal.

Com o tempo, fui praticando isso, conseguir ler mais do que está escrito. É muito legal, ainda mais em músicas. Na ditadura, todos faziam letras cifradas. As do Chico Buarque eu aprendia em casa, com a minha mãe, a decifrá-las. Por exemplo, a maior parte das vezes que ele dizia D-US queria referir-se a ditadura.

Enfim, aprendi a ler e decifrar músicas, algumas de suas intenções escondidas e de seus significados herméticos. Mas para mim, ainda é extremamente difícil decifrar pessoas, talvez porque eu mesmo seja difícil de decifrar, embora eu sempre seja extremamente honesto e claro.

A música de hoje foi “Pra o Dia Nascer Feliz”, por CAZUZA, e nela fiquei praticando esse exercício de decifrar o sentido guardado nas entrelinhas.